HORA FINAL
quarta-feira, 27 de julho de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
O Evangelho que Paulo jamais pregaria
Leitura bíblica: Rm 1.16; 1 Co 15.1,2; 2 Co 11.3,4
Este estudo relaciona-se com as doutrinas falsificadas e modismos que surgem “entre nós” (At 20.27-30; 2 Pe 2.1,2; Gl 5.20; 1 Co 11.19), decorrentes da formação de facções — “alguns” (At 15.1,24; 2 Ts 3.11; 1 Tm 1.3,6,19; 4.1; 5.15; 6.10,21; 2 Tm 2.18; Jd vv.22,23).
I - Avisos quanto às falsificações do evangelho de Cristo
1 - Há muitos espíritos enganadores no mundo:
a) Falsos deuses (2 Co 4.4; Jo 17.3; Sl 95.3).
b) Outro Jesus e outro espírito (2 Co 11.4; At 5.32; Jo 14.17).
c) Anjos caídos e demônios (Gl 1.8; 1 Tm 4.1; Ef 6.12; Ap 12.3,4,9).
2 - Existem muitos falsificadores a Palavra de Deus:
a) Falsos cristos e anticristos (Mt 24.24a; Mc 13.22a.; 1 Jo 2.18,19; 2 Jo v.7).
b) Falsos cientistas (1 Tm 6.20,21; 2 Co 4.4; Sl 10.4).
c) Pregadores e mestres falsos (2 Tm 4.1-5; 2 Pe 2.1,2; 3.16).
d) Pastores e apóstolos enganadores (2 Co 11.5,13; Ez 34.1-10).
e) Falsos adoradores (Mt 15.7-9; Jo 4.23,24).
f) Falsos irmãos (2 Co 11.15,24-28; Gl 2.3,4; Tg 1.26; Rm 16.17,18).
g) Falsos profetas — gr. pseudoprophetes (Mt 7.15; 24.11,24; Mc 13.22; At 13.6; 2 Pe 2.1; 1 Jo 4.1).
h) Falsos milagreiros (Mt 24.24b; Mc 13.22b; 2 Co 11.13-15).
3 - Diante de tantos falsos evangelhos, propagados por homens hereges (cf. Tt 3.10) que acrescentam, tiram ou “torcem” as verdades sagradas (2 Co 4.2-4; Ap 22.18,19), lembremo-nos de que há três origens para as doutrinas:
a) Divina (At 20.27; Gl 1.11,12; 1 Pe 1.24,25; 1 Tm 1.10; Tt 2.1).
b) Humana (Is 29.13; Mt 16.6; Cl 2.20-22; Mt 23.24).
c) Demoníaca (1 Tm 4.1-3).
II - Características dos propagadores de falsos evangelhos
1 - O mundo jaz no Maligno, e a Igreja deve se firmar na verdade, tendo a Palavra de Deus como a sua única fonte de autoridade confiável, superior a todas as outras fontes extrabíblicas (1 Jo 5.19,20; Jo 8.32,44; 15.3; 17.17; 1 Co 4.6; At 26.22).
2 - De acordo com as palavras de Jesus, em Mateus 7.15-23, as características dos enganadores são as seguintes:
a) Parecem-se com ovelhas; mas são lobos devoradores (v. 15; At 20.29; Mt 23.28; Gl 2.6).
b) Seus frutos são maus (vv. 16-20; Mt 3.10; Jd v.12).
c) Dizem-se servos de Deus (vv. 21,22; 1 Co 5.11; 2 Ts 3.6; Ap 2.20,21).
d) Não fazem a vontade do Senhor (v. 21; Jo 7.16,17). Seguem a própria vontade (Ez 13.2; 2 Tm 4.10; Lc 9.23), a do povo (Êx 32.1-4,19,20; Gl 1.10) ou a do Diabo (Jo 8.44); rejeitam a vontade de Deus (Rm 12.2; 1 Jo 2.17).
e) São muitos (v. 22; 2 Co 2.17; 2 Tm 4.3; Mt 24.1-12; Fp 3.18).
f) Usam o nome do Senhor (v. 22; 2 Tm 2.19).
g) Profetizam (v. 22). Os falsos profetas também são “profetas” (Jr 14.14; 28.5; 1 Rs 13; 22.1-28; Ez 13.1-4); por isso, profetizam!
h) Expulsam demônios e fazem muitas maravilhas (v. 22).
i) Deus não os conhece (v. 23) — ginõskõ, gr. (cf. Rm 7.15). Ele nunca aprovou, reconheceu ou deu crédito ao trabalho deles. O Senhor só tem relacionamento aprovador com quem o ama e o serve (Gn 18.19; Sl 1.6; Jo 10.14,27; 1 Co 8.3; Na 1.7; Gl 4.9).
j) Praticam iniqüidade (v. 23; 2 Pe 2.20-22). Isso implica rejeição consciente da Palavra de Deus (Mt 13.41; 23.25,28; 24.12).
l) Não entrarão no Reino de Deus (vv. 19,21,22; 2 Pe 2.1; Jo 15.6).
III - Como julgar o que ouvimos, vemos e sentimos
1 - Não devemos desprezar as pregações, os ensinamentos, as profecias, bem como os sinais e prodígios (At 17.11a; 1 Ts 2.13; 5.19,20). Entretanto, cabe a nós julgá-los (At 17.11b; 1 Ts 5.21; 1 Co 2.15; 14.29; 1 Jo 4.1; Hb 13.9).
2 - Os critérios bíblicos para esse julgamento:
a) Julgamento segundo a reta justiça (Jo 7.24; Mt 7.1,2).
b) Julgamento segundo a Palavra de Deus (At 17.11; Hb 5.12-14).
c) Julgamento do Corpo em sintonia com a Cabeça (Ef 4.14,15; 1 Co 2.16; 1 Jo 2.20,27; Nm 9.15-22).
d) Julgamento conforme o dom de discernir os espíritos (1 Co 12.10,11; At 13.6-11; 16.1-18).
e) Julgamento com bom senso (1 Co 14.33; At 9.10,11).
f) Julgamento mediante o cumprimento da predição, no caso da profecia (Ez 33.33; Dt 18.21,22; Jr 28.9), se bem que apenas isso não é suficiente para autenticá-la (Dt 13.1,2; Jo 14.23a).
g) Julgamento com base na vida do pregador, profeta ou milagreiro (2 Tm 2.20,21; Gl 5.22):● Ele tem uma vida de oração e devoção a Deus?
● Ele honra a Cristo em tudo, não recebendo glória dos homens?
● Ele demonstra amar e seguir a Palavra do Senhor?
● Ele ama os pecadores e deseja vê-los salvos?● Ele detesta o mal e ama justiça?
● Ele prega contra o pecado, defende o evangelho de Cristo e conduz a igreja à santificação?
● Ele repudia a avareza, ou ama sordidamente o dinheiro?
IV - O evangelho centrado em sinais e revelações
1 - As doutrinas desse evangelho surgem depois de “arrebatamentos ao céu ou ao inferno”, “cair no Espírito” e outras experiências exóticas. Seus propagadores dizem ter “novas unções” (1 Co 1.25; Ap 4; 1 Jo 2.20; Lc 4.18; At 10.38; 2 Co 1.21).
2 - Empregam textos isolados para propagarem modismos como “cair no Espírito” e “unção do riso” (Dn 10.7-9; At 9.4-8; Ap 1.17; Gn 2.21; 18.15), mas negligenciam a Palavra de Deus (1 Co 14.20,32,33; Rm 14.17; At 2.1-4,14; 8.15-17; 10.44-48; 19.1-7; Os 14.1; 1 Co 10.12; Ap 2.4,5; Mc 9.17-27; Lc 4.35).
3 - Falam muito sobre os “sonhos de Deus”, afirmando que os nossos anseios, aspirações, ambições e pensamentos provêm do Senhor (Pv 16.1,2; Jr 17.9; 2 Sm 7.3-17). Mas Ele nos dirige mediante sonhos de verdade, e não “sonhos” (Gn 37.5,9; Jl 2.28-29; Mt 1.20; 2.12,13,19,22).
4 - Afirmam que as frases “buscai as coisas que são de cima” (Cl 3.1) e “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça” (Hb 4.16) denotam que o crente deve subir ao céu, literalmente, a fim de trazer de lá novas revelações!
5 - Alguns defensores desse evangelho empirista, dizendo ter acesso à Sala das Escrituras, à Sala dos Projetos e à Sala dos Tempos, têm mandado o povo guardar a Bíblia e “mergulhar de cabeça” nas novas revelações “divinas” (1 Co 15.3,4; Sl 119.89,105; Dt 17.19).
6 - Outros enfatizam o antibíblico culto aos anjos, ainda que de forma indireta (Cl 2.18; Hb 1.14; Êx 33.2; Dn 6.22; Lc 1.19; At 12.11; 27.23). As mensagens angelicais são consideradas equivalentes ou superiores à Palavra de Deus (Jo 12.28-30; Gl 1.8; 1 Rs 13.18).
7 - Chamam os crentes equilibrados — que crêem no sobrenatural, mas consideram a Bíblia a sua regra de fé e de prática — de fundamentalistas e bibliólatras. Mas as Escrituras devem, sim, controlar todo o nosso viver (Sl 119.9,11; Jo 17.17; 2 Tm 3.16,17).
8 - Alguns ungem com azeite carteiras de trabalho, carros, casas, montes e até cidades! Outros enterram latas de azeite em montes para depois usá-lo em suas campanhas de milagres. A unção é aplicada de modo indiscriminado, e não segundo a Bíblia (Tg 5.14,15; Mc 6.13).
9 - Os seguidores desse evangelho ignoram o fato de que o Diabo e seus agentes também realizam sinais e prodígios para enganar (Êx 7.11,12; 8.18,19, ARA; 2 Ts 2.9; Ap 13.11-15). Conquanto Deus realize milagres, estes não confirmam a sua presença em nosso meio (Jo 14.12; Mc 16.17,18; Mt 11.11; Jo 10.41,42; 1 Rs 19.8-12; Dt 13.1-4).
V - O evangelho antropocêntrico
1 - Os pregadores desse falso evangelho fazem do homem o centro da mensagem, em vez de enfatizarem o nome do Senhor Jesus e a sua obra (1 Co 1.22,23; 2.1,2; Mc 16.17; 2 Co 2.17; At 2.22-36).
2 - Afirmam que a vitória da cruz foi uma derrota (1 Co 1.18; Hb 2.14,15; Cl 2.14,15, ARA; Fp 3.18); e que o Cordeiro imaculado e incontaminado (2 Co 5.21; 1 Pe 1.18,19) teria assumido a natureza de Satanás na cruz — que blasfêmia! —, consumando a obra da redenção no inferno (Jo 19.30; 2 Co 5.14-19; Ap 1.18; Ef 4.8-11; 1 Pe 3.18,19).
3 - Apresentam Jesus como um mero homem que venceu por meio da fé (Jo 1.1,14; 10.30,33; Hb 1.8; Cl 2.9). A deificação do homem e o rebaixamento de Cristo são ensinados por eles — se bem que de modo subjetivo (Sl 82.6; 2 Pe 1.4-9; Nm 23.19; Sl 138.6; Jo 4.23,24).
4 - Ensinam que as palavras humanas têm um poder sobrenatural para abençoar e amaldiçoar — o homem é produto de suas palavras (Tg 3.1-10; 1 Sm 27.1,2; 1 Rs 19.1-8; Gn 21.14-21; 42.36; Jn 4.8-11; Mc 9.17-27; 1 Tm 1.15; 2 Sm 16.5,7,12).
5 - Pregam que toda declaração de fé é uma profecia (1 Co 12.11,29; 14.3; 1 Rs 17.1; Tg 5.17; Ez 37.4,7). Qualquer bênção decorre, segundo eles, dessas “confissões positivas” (Gn 12.1-3; Nm 6.23-27; Ef 1.3; Tg 1.17).
6 - Fazem da fé o centro da vida cristã, ignorando outras virtudes (1 Co 13.13; Tg 2.17,24,26; Ef 2.8-10; Gl 5.22; 2 Pe 1.5-9). O crente deve — dizem — decretar, determinar, profetizar, exigir, pois é filho, e não servo de Deus (Jo 15.14,15; 13.13-17; Hb 5.8,9; Fp 2.5-11; Rm 1.1; 2 Pe 1.1; Tg 1.1; Jd v.1; Ap 1.1; 22.3).
7 - Asseveram que é errado orar assim: “Senhor, se for da tua vontade”; associam tal declaração à falta de fé (1 Jo 5.14; Mt 6.9,10; 26.42; Tg 4.15; At 18.21; 1 Co 4.19; Hb 6.3; 1 Co 16.7).
8 - Torcem a Palavra de Deus ao enfatizar que “pedir” (aiteõ, gr.), na verdade, significa “exigir” ou “determinar”, pois o termo sugere atitude de um suplicante (Jo 14.13; 15.16; Mt 7.7,8; Dt 10.12; Mq 6.8).
9 - Afirmam que orar suplicando e chorando é um comportamento de derrotado (Jr 29.13; 31.9; 33.3; 2 Cr 7.13,14; Ef 6.18; Sl 6.6; 30.5; Jl 2.12,17). Ignoram os textos que abordam provações e tribulações do crente (Jo 16.33; At 14.22; Rm 5-1-5; 8.18; 2 Co 4.16,17; 8.1,2; 1 Pe 2.19-21; 5.8-10).
10 - Dizem que o crente nunca fica doente; se ficar, está em pecado ou endemoninhado (2 Co 4.16; Sl 90.10; 1 Pe 1.24,25; 2 Rs 13.14; Jó 1.1; 2.12,13; Jo 11.1-4). Afirmam que a saúde perfeita é um direito do crente (Mt 8.14-17; Fp 2.25-28; 1 Tm 5.23; 2 Tm 4.20).
11 - Pregam a necessidade de o crente quebrar maldições hereditárias para ter vitória e obter cura interior (Êx 20.1,2,5; Ez 18.4,17,20; At 17.30). Possuir um nome com significado negativo é o suficiente para ter uma vida sob maldição (2 Co 5.17; Rm 8.1; 2 Co 11.3; Jo 8.32,36; Rm 1.16; Lc 4.18).
12 - Superestimam a força de Satanás e dos demônios (Mt 12.29,43-45; Jo 8.49; 1 Co 6.19,20; 1 Sm 16.14; 1 Jo 4.4; Ef 2.1-5; Rm 8.38). Acreditam que tudo o que ocorre é determinado pelo mundo espiritual (Cl 3.9; Gl 5.19-21; Tg 1.14; Ef 2.2,3; Mt 15.19).
13 - Ao mesmo tempo, acreditam que podem “amarrar” facilmente os demônios e ordenar que voltem para o inferno. Boa parte de suas “orações” consiste em ofensas ao Inimigo (1 Ts 2.18; Mt 6.5-13; Jr 33.3; Jd v.9; 1 Sm 17.23ss; Ef 4.27; Mt 16.18; Tg 4.7,8; 1 Pe 5.8,9).
14 - Apresentam detalhes extrabíblicos minuciosos dos chamados “espíritos territoriais”. Alguns propagadores desse evangelho dialogam com pessoas endemoninhadas para obter “novas revelações” (Ef 6.10,11; 2.2; 2 Co 10.4,5; 1 Ts 3.5; Ap 12.9; 2 Co 11.3).
VI - O evangelho da prosperidade
1 - Os propagadores desse perigoso evangelho pregam que ser rico materialmente é uma prerrogativa do crente, associando a pobreza à vida de pecado, dominada pelo Diabo, ou à falta de fé (Tg 2.1-6; At 2.44,45; Rm 15.25,26; Gl 2.10; Hb 11.37,38; Pv 22.2; Is 58.6,7; Dt 15.11).
2 - Afirmam que Jesus era rico; segundo eles, nasceu numa estrebaria porque os hotéis em Jerusalém estavam lotados; ao nascer, foi visitado por três reis; tinha um tesoureiro; possuía um grande negócio no ramo da carpintaria (2 Co 8.1,2,9; Lc 2.7; Mt 8.20; Zc 9.9; Is 53.3,9; Mt 27.57-60).
3 - Priorizam a contribuição financeira, adotando práticas pelas quais mercadejam a Palavra, enganam o povo e enriquecem (Ml 3.8-10; 1 Co 16.1,2; 2 Co 2.17, ARA; 11.7-9; 2 Pe 2.3,14-17).
4 - Só pregam sobre conquista de bênçãos aqui na terra, desviando os crentes de doutrinas fundamentais da Palavra de Deus, como a santificação, a Vinda de Jesus, etc. (Mt 6.19-21; Ef 5.5; 1 Co 15.19; Jo 4.31-35; Jo 6.27; Rm 14.17; Tg 5.1-3; Fp 4.10-13; 1 Tm 6.8-10; Hb 12.14; 2 Pe 3.1-4).
VII - O evangelho ecumênico
1 - Os pregadores desse falso evangelho priorizam a imparcialidade em detrimento da verdade (Jo 8.32; 17.17; Ef 6.14; 1 Tm 2.4). Ensinam que as religiões devem se unir, pois todas têm algo bom, e é isso que importa para Deus (Jo 10.9; 14.6; 1 Tm 2.5; At 4.12; Mt 7.13,14; 2 Co 6.14-18).
2 - Argumentam que a doutrina divide, devendo ser minimizada para o bem maior de alcançar o mundo. Pensam que a união e a unidade são mais importantes que a prevalência da verdade (Jo 17.6-17; Ef 4.1-5,11-15; At 2.42-47).
3 - Preferem tolerar as heresias a parecerem desamorosos para o mundo; apóiam-se em um falso amor, mal-direcionado, e não no amor a Deus e à sua Palavra (Jo 14.23; Sl 110.97; 1 Jo 2.15-17; Rm 12.1,2; Tg 4.4; 2 Tm 4.10).
4 - Afirmam que o mais importante é o amor, mas ignoram o fato de que o amor a Deus está atrelado à aceitação da verdade das Santas Escrituras (Jo 14.23; 1 Co 16.22; Tt 1.10,11; 1 Tm 6.3-5).
VIII - Os evangelhos teologicocêntrico e filosófico
1 - Os propagadores do teologicocentrismo valorizam mais o pensamento teológico que as verdades da Bíblia, não levando em consideração o fato de que os teólogos podem errar, enquanto a Palavra de Deus é infalível (1 Pe 1.24,25; Jr 1.12).
2 - Não consideram a Palavra de Deus a única fonte de autoridade confiável e infalível, valorizando ao extremo a teologia e os teólogos (1 Co 1.19-25; 2.4-10; Mt 4.4).
3 - Abrem mão das Escrituras para defender doutrinas tendenciosas, como calvinismo, arminianismo, etc. (Sl 138.2; Mt 24.35). Questionam até a inspiração total da Bíblia Sagrada, afirmando que somente parte dela é divinamente inspirada (2 Tm 3.16,17; 2 Pe 1.20,21).
4 - Para os seguidores do perigoso evangelho filosófico, o que não passa pelo crivo da razão não pode ser aceito como verdade absoluta (1 Co 2.4-15; Mt 11.25; Sl 25.14; 1 Jo 2.20).
5 - Agnósticos, céticos, materialistas e humanistas, subestimam ou minimizam a força do Inimigo e de seus agentes (Mt 16.6; At 23.8; Mt 22.23; 2 Co 2.11; Lc 10.19; Ef 6.10-12).
6 - Ignoram os milagres apresentados na Palavra e tentam explicar alguns acontecimentos sobrenaturais mediante argumentações racionais e “científicas” (1 Tm 6.20; Hb 11.1,6).
7 - Cessacionistas, negam a sobrenaturalidade do Evangelho para os dias atuais (At 2.39; 1 Co 12.1-11; 1 Co 13.1,2,8; 14.2,13,18 [gr.]; 1 Ts 5.19,20).
IX - O evangelho farisaico
1 - Nesse evangelho, os usos e costumes são determinantes para a salvação das pessoas, bem como para a formação de novas doutrinas; a Bíblia é usada a bel-prazer para respaldar ensinamentos extremistas (Cl 2.8; Mt 15.1-9).
2 - Os seus propagadores ignoram o fato de que ser conservador, à luz da Bíblia, não significa ser extremista, exagerado, fanático ou desequilibrado (Ec 7.16,17; Pv 4.26,27; 2 Tm 1.13,14; 1 Tm 6.20; Ap 2.25; 3.11).
3 - Muitos deles, como os fariseus do passado, são formalistas, regionalistas, ritualistas, nominalistas e endeusam as obras (Mt 16.6; Mc 8.15; At 11.26; At 15.5,10; Mt 23).
4 - Confundem costume com doutrina, exigindo dos crentes a prática de uma santificação inatingível, extremada, acima do que a Bíblia apresenta (Tt 2.1; Cl 2.20-23; Mt 23.23,24; Sl 103.14; 1 Jo 5.3).
5 - Consideram os usos e costumes uma causa, e não um efeito. Não levam em conta que a verdadeira santificação ocorre a partir do espírito — de dentro para fora (1 Ts 5.23; Mt 23.25,26; Hb 4.12).
X - O evangelho do entretenimento
1 - Os pregadores desse evangelho não valorizam a Palavra do Senhor, chamando de culto a Deus os shows, ajuntamentos para cantar, gritar, pular, dançar e assobiar. São contextualizadores, liberalistas, modernistas, secularistas e irreverentes (Mc 8.15; Is 29.13; Mt 21.1-13; 2 Sm 24.24; 1 Co 14.26,40)
2 - Não têm nenhuma preocupação com a manutenção dos bons costumes; isto é, da boa tradição conservadora; é proibido proibir (2 Ts 2.15; 3.6; 1 Co 15.33; Sl 11.3; Ml 1.8; Tg 2.12; Jz 17.6; 21.25).
3 - Líderes de louvor, cantores e músicos que seguem a esse falso evangelho imitam os padrões mundanos, secularizando cada vez mais a liturgia dos cultos (Ec 5.1; Sl 2.11; 5.7; 57.7; Am 5.23).
4 - Não existe nenhuma orientação pastoral aos crentes quanto à linguagem, ao traje e ao comportamento (1 Co 6.12; 10.23; 1 Ts 5.22; Tt 2.8; Is 6.1-8; 1 Tm 2.9,10). Vêem a secularização como uma conseqüência inevitável (Lc 17.26-30; Tg 4.4; 1 Jo 5.19; Is 5.20).
5 - Afirmam, com orgulho, que estão certos e que as igrejas tradicionais estão ultrapassadas, precisando se contextualizar (Pv 24.21; Jr 6.16; Lm 5.21; Fp 2.14,15; Mt 5.13-16; 1 Jo 5.4). Medem o sucesso apenas pela quantidade de membros (At 6.7; Jz 7; Sl 12.1; Mt 7.13,14; Jo 6.60-69).
Guardemos, pois, a sã doutrina, não falsificada, em nosso coração; ouçamos apenas a voz do Bom Pastor e anunciemos o Evangelho de Cristo (1 Pe 2.2; 2 Co 4.1,2; Sl 119.11; Ap 1.3; Jo 10.27,28,5; Gl 2.5,14).
I - Avisos quanto às falsificações do evangelho de Cristo
1 - Há muitos espíritos enganadores no mundo:
a) Falsos deuses (2 Co 4.4; Jo 17.3; Sl 95.3).
b) Outro Jesus e outro espírito (2 Co 11.4; At 5.32; Jo 14.17).
c) Anjos caídos e demônios (Gl 1.8; 1 Tm 4.1; Ef 6.12; Ap 12.3,4,9).
2 - Existem muitos falsificadores a Palavra de Deus:
a) Falsos cristos e anticristos (Mt 24.24a; Mc 13.22a.; 1 Jo 2.18,19; 2 Jo v.7).
b) Falsos cientistas (1 Tm 6.20,21; 2 Co 4.4; Sl 10.4).
c) Pregadores e mestres falsos (2 Tm 4.1-5; 2 Pe 2.1,2; 3.16).
d) Pastores e apóstolos enganadores (2 Co 11.5,13; Ez 34.1-10).
e) Falsos adoradores (Mt 15.7-9; Jo 4.23,24).
f) Falsos irmãos (2 Co 11.15,24-28; Gl 2.3,4; Tg 1.26; Rm 16.17,18).
g) Falsos profetas — gr. pseudoprophetes (Mt 7.15; 24.11,24; Mc 13.22; At 13.6; 2 Pe 2.1; 1 Jo 4.1).
h) Falsos milagreiros (Mt 24.24b; Mc 13.22b; 2 Co 11.13-15).
3 - Diante de tantos falsos evangelhos, propagados por homens hereges (cf. Tt 3.10) que acrescentam, tiram ou “torcem” as verdades sagradas (2 Co 4.2-4; Ap 22.18,19), lembremo-nos de que há três origens para as doutrinas:
a) Divina (At 20.27; Gl 1.11,12; 1 Pe 1.24,25; 1 Tm 1.10; Tt 2.1).
b) Humana (Is 29.13; Mt 16.6; Cl 2.20-22; Mt 23.24).
c) Demoníaca (1 Tm 4.1-3).
II - Características dos propagadores de falsos evangelhos
1 - O mundo jaz no Maligno, e a Igreja deve se firmar na verdade, tendo a Palavra de Deus como a sua única fonte de autoridade confiável, superior a todas as outras fontes extrabíblicas (1 Jo 5.19,20; Jo 8.32,44; 15.3; 17.17; 1 Co 4.6; At 26.22).
2 - De acordo com as palavras de Jesus, em Mateus 7.15-23, as características dos enganadores são as seguintes:
a) Parecem-se com ovelhas; mas são lobos devoradores (v. 15; At 20.29; Mt 23.28; Gl 2.6).
b) Seus frutos são maus (vv. 16-20; Mt 3.10; Jd v.12).
c) Dizem-se servos de Deus (vv. 21,22; 1 Co 5.11; 2 Ts 3.6; Ap 2.20,21).
d) Não fazem a vontade do Senhor (v. 21; Jo 7.16,17). Seguem a própria vontade (Ez 13.2; 2 Tm 4.10; Lc 9.23), a do povo (Êx 32.1-4,19,20; Gl 1.10) ou a do Diabo (Jo 8.44); rejeitam a vontade de Deus (Rm 12.2; 1 Jo 2.17).
e) São muitos (v. 22; 2 Co 2.17; 2 Tm 4.3; Mt 24.1-12; Fp 3.18).
f) Usam o nome do Senhor (v. 22; 2 Tm 2.19).
g) Profetizam (v. 22). Os falsos profetas também são “profetas” (Jr 14.14; 28.5; 1 Rs 13; 22.1-28; Ez 13.1-4); por isso, profetizam!
h) Expulsam demônios e fazem muitas maravilhas (v. 22).
i) Deus não os conhece (v. 23) — ginõskõ, gr. (cf. Rm 7.15). Ele nunca aprovou, reconheceu ou deu crédito ao trabalho deles. O Senhor só tem relacionamento aprovador com quem o ama e o serve (Gn 18.19; Sl 1.6; Jo 10.14,27; 1 Co 8.3; Na 1.7; Gl 4.9).
j) Praticam iniqüidade (v. 23; 2 Pe 2.20-22). Isso implica rejeição consciente da Palavra de Deus (Mt 13.41; 23.25,28; 24.12).
l) Não entrarão no Reino de Deus (vv. 19,21,22; 2 Pe 2.1; Jo 15.6).
III - Como julgar o que ouvimos, vemos e sentimos
1 - Não devemos desprezar as pregações, os ensinamentos, as profecias, bem como os sinais e prodígios (At 17.11a; 1 Ts 2.13; 5.19,20). Entretanto, cabe a nós julgá-los (At 17.11b; 1 Ts 5.21; 1 Co 2.15; 14.29; 1 Jo 4.1; Hb 13.9).
2 - Os critérios bíblicos para esse julgamento:
a) Julgamento segundo a reta justiça (Jo 7.24; Mt 7.1,2).
b) Julgamento segundo a Palavra de Deus (At 17.11; Hb 5.12-14).
c) Julgamento do Corpo em sintonia com a Cabeça (Ef 4.14,15; 1 Co 2.16; 1 Jo 2.20,27; Nm 9.15-22).
d) Julgamento conforme o dom de discernir os espíritos (1 Co 12.10,11; At 13.6-11; 16.1-18).
e) Julgamento com bom senso (1 Co 14.33; At 9.10,11).
f) Julgamento mediante o cumprimento da predição, no caso da profecia (Ez 33.33; Dt 18.21,22; Jr 28.9), se bem que apenas isso não é suficiente para autenticá-la (Dt 13.1,2; Jo 14.23a).
g) Julgamento com base na vida do pregador, profeta ou milagreiro (2 Tm 2.20,21; Gl 5.22):● Ele tem uma vida de oração e devoção a Deus?
● Ele honra a Cristo em tudo, não recebendo glória dos homens?
● Ele demonstra amar e seguir a Palavra do Senhor?
● Ele ama os pecadores e deseja vê-los salvos?● Ele detesta o mal e ama justiça?
● Ele prega contra o pecado, defende o evangelho de Cristo e conduz a igreja à santificação?
● Ele repudia a avareza, ou ama sordidamente o dinheiro?
IV - O evangelho centrado em sinais e revelações
1 - As doutrinas desse evangelho surgem depois de “arrebatamentos ao céu ou ao inferno”, “cair no Espírito” e outras experiências exóticas. Seus propagadores dizem ter “novas unções” (1 Co 1.25; Ap 4; 1 Jo 2.20; Lc 4.18; At 10.38; 2 Co 1.21).
2 - Empregam textos isolados para propagarem modismos como “cair no Espírito” e “unção do riso” (Dn 10.7-9; At 9.4-8; Ap 1.17; Gn 2.21; 18.15), mas negligenciam a Palavra de Deus (1 Co 14.20,32,33; Rm 14.17; At 2.1-4,14; 8.15-17; 10.44-48; 19.1-7; Os 14.1; 1 Co 10.12; Ap 2.4,5; Mc 9.17-27; Lc 4.35).
3 - Falam muito sobre os “sonhos de Deus”, afirmando que os nossos anseios, aspirações, ambições e pensamentos provêm do Senhor (Pv 16.1,2; Jr 17.9; 2 Sm 7.3-17). Mas Ele nos dirige mediante sonhos de verdade, e não “sonhos” (Gn 37.5,9; Jl 2.28-29; Mt 1.20; 2.12,13,19,22).
4 - Afirmam que as frases “buscai as coisas que são de cima” (Cl 3.1) e “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça” (Hb 4.16) denotam que o crente deve subir ao céu, literalmente, a fim de trazer de lá novas revelações!
5 - Alguns defensores desse evangelho empirista, dizendo ter acesso à Sala das Escrituras, à Sala dos Projetos e à Sala dos Tempos, têm mandado o povo guardar a Bíblia e “mergulhar de cabeça” nas novas revelações “divinas” (1 Co 15.3,4; Sl 119.89,105; Dt 17.19).
6 - Outros enfatizam o antibíblico culto aos anjos, ainda que de forma indireta (Cl 2.18; Hb 1.14; Êx 33.2; Dn 6.22; Lc 1.19; At 12.11; 27.23). As mensagens angelicais são consideradas equivalentes ou superiores à Palavra de Deus (Jo 12.28-30; Gl 1.8; 1 Rs 13.18).
7 - Chamam os crentes equilibrados — que crêem no sobrenatural, mas consideram a Bíblia a sua regra de fé e de prática — de fundamentalistas e bibliólatras. Mas as Escrituras devem, sim, controlar todo o nosso viver (Sl 119.9,11; Jo 17.17; 2 Tm 3.16,17).
8 - Alguns ungem com azeite carteiras de trabalho, carros, casas, montes e até cidades! Outros enterram latas de azeite em montes para depois usá-lo em suas campanhas de milagres. A unção é aplicada de modo indiscriminado, e não segundo a Bíblia (Tg 5.14,15; Mc 6.13).
9 - Os seguidores desse evangelho ignoram o fato de que o Diabo e seus agentes também realizam sinais e prodígios para enganar (Êx 7.11,12; 8.18,19, ARA; 2 Ts 2.9; Ap 13.11-15). Conquanto Deus realize milagres, estes não confirmam a sua presença em nosso meio (Jo 14.12; Mc 16.17,18; Mt 11.11; Jo 10.41,42; 1 Rs 19.8-12; Dt 13.1-4).
V - O evangelho antropocêntrico
1 - Os pregadores desse falso evangelho fazem do homem o centro da mensagem, em vez de enfatizarem o nome do Senhor Jesus e a sua obra (1 Co 1.22,23; 2.1,2; Mc 16.17; 2 Co 2.17; At 2.22-36).
2 - Afirmam que a vitória da cruz foi uma derrota (1 Co 1.18; Hb 2.14,15; Cl 2.14,15, ARA; Fp 3.18); e que o Cordeiro imaculado e incontaminado (2 Co 5.21; 1 Pe 1.18,19) teria assumido a natureza de Satanás na cruz — que blasfêmia! —, consumando a obra da redenção no inferno (Jo 19.30; 2 Co 5.14-19; Ap 1.18; Ef 4.8-11; 1 Pe 3.18,19).
3 - Apresentam Jesus como um mero homem que venceu por meio da fé (Jo 1.1,14; 10.30,33; Hb 1.8; Cl 2.9). A deificação do homem e o rebaixamento de Cristo são ensinados por eles — se bem que de modo subjetivo (Sl 82.6; 2 Pe 1.4-9; Nm 23.19; Sl 138.6; Jo 4.23,24).
4 - Ensinam que as palavras humanas têm um poder sobrenatural para abençoar e amaldiçoar — o homem é produto de suas palavras (Tg 3.1-10; 1 Sm 27.1,2; 1 Rs 19.1-8; Gn 21.14-21; 42.36; Jn 4.8-11; Mc 9.17-27; 1 Tm 1.15; 2 Sm 16.5,7,12).
5 - Pregam que toda declaração de fé é uma profecia (1 Co 12.11,29; 14.3; 1 Rs 17.1; Tg 5.17; Ez 37.4,7). Qualquer bênção decorre, segundo eles, dessas “confissões positivas” (Gn 12.1-3; Nm 6.23-27; Ef 1.3; Tg 1.17).
6 - Fazem da fé o centro da vida cristã, ignorando outras virtudes (1 Co 13.13; Tg 2.17,24,26; Ef 2.8-10; Gl 5.22; 2 Pe 1.5-9). O crente deve — dizem — decretar, determinar, profetizar, exigir, pois é filho, e não servo de Deus (Jo 15.14,15; 13.13-17; Hb 5.8,9; Fp 2.5-11; Rm 1.1; 2 Pe 1.1; Tg 1.1; Jd v.1; Ap 1.1; 22.3).
7 - Asseveram que é errado orar assim: “Senhor, se for da tua vontade”; associam tal declaração à falta de fé (1 Jo 5.14; Mt 6.9,10; 26.42; Tg 4.15; At 18.21; 1 Co 4.19; Hb 6.3; 1 Co 16.7).
8 - Torcem a Palavra de Deus ao enfatizar que “pedir” (aiteõ, gr.), na verdade, significa “exigir” ou “determinar”, pois o termo sugere atitude de um suplicante (Jo 14.13; 15.16; Mt 7.7,8; Dt 10.12; Mq 6.8).
9 - Afirmam que orar suplicando e chorando é um comportamento de derrotado (Jr 29.13; 31.9; 33.3; 2 Cr 7.13,14; Ef 6.18; Sl 6.6; 30.5; Jl 2.12,17). Ignoram os textos que abordam provações e tribulações do crente (Jo 16.33; At 14.22; Rm 5-1-5; 8.18; 2 Co 4.16,17; 8.1,2; 1 Pe 2.19-21; 5.8-10).
10 - Dizem que o crente nunca fica doente; se ficar, está em pecado ou endemoninhado (2 Co 4.16; Sl 90.10; 1 Pe 1.24,25; 2 Rs 13.14; Jó 1.1; 2.12,13; Jo 11.1-4). Afirmam que a saúde perfeita é um direito do crente (Mt 8.14-17; Fp 2.25-28; 1 Tm 5.23; 2 Tm 4.20).
11 - Pregam a necessidade de o crente quebrar maldições hereditárias para ter vitória e obter cura interior (Êx 20.1,2,5; Ez 18.4,17,20; At 17.30). Possuir um nome com significado negativo é o suficiente para ter uma vida sob maldição (2 Co 5.17; Rm 8.1; 2 Co 11.3; Jo 8.32,36; Rm 1.16; Lc 4.18).
12 - Superestimam a força de Satanás e dos demônios (Mt 12.29,43-45; Jo 8.49; 1 Co 6.19,20; 1 Sm 16.14; 1 Jo 4.4; Ef 2.1-5; Rm 8.38). Acreditam que tudo o que ocorre é determinado pelo mundo espiritual (Cl 3.9; Gl 5.19-21; Tg 1.14; Ef 2.2,3; Mt 15.19).
13 - Ao mesmo tempo, acreditam que podem “amarrar” facilmente os demônios e ordenar que voltem para o inferno. Boa parte de suas “orações” consiste em ofensas ao Inimigo (1 Ts 2.18; Mt 6.5-13; Jr 33.3; Jd v.9; 1 Sm 17.23ss; Ef 4.27; Mt 16.18; Tg 4.7,8; 1 Pe 5.8,9).
14 - Apresentam detalhes extrabíblicos minuciosos dos chamados “espíritos territoriais”. Alguns propagadores desse evangelho dialogam com pessoas endemoninhadas para obter “novas revelações” (Ef 6.10,11; 2.2; 2 Co 10.4,5; 1 Ts 3.5; Ap 12.9; 2 Co 11.3).
VI - O evangelho da prosperidade
1 - Os propagadores desse perigoso evangelho pregam que ser rico materialmente é uma prerrogativa do crente, associando a pobreza à vida de pecado, dominada pelo Diabo, ou à falta de fé (Tg 2.1-6; At 2.44,45; Rm 15.25,26; Gl 2.10; Hb 11.37,38; Pv 22.2; Is 58.6,7; Dt 15.11).
2 - Afirmam que Jesus era rico; segundo eles, nasceu numa estrebaria porque os hotéis em Jerusalém estavam lotados; ao nascer, foi visitado por três reis; tinha um tesoureiro; possuía um grande negócio no ramo da carpintaria (2 Co 8.1,2,9; Lc 2.7; Mt 8.20; Zc 9.9; Is 53.3,9; Mt 27.57-60).
3 - Priorizam a contribuição financeira, adotando práticas pelas quais mercadejam a Palavra, enganam o povo e enriquecem (Ml 3.8-10; 1 Co 16.1,2; 2 Co 2.17, ARA; 11.7-9; 2 Pe 2.3,14-17).
4 - Só pregam sobre conquista de bênçãos aqui na terra, desviando os crentes de doutrinas fundamentais da Palavra de Deus, como a santificação, a Vinda de Jesus, etc. (Mt 6.19-21; Ef 5.5; 1 Co 15.19; Jo 4.31-35; Jo 6.27; Rm 14.17; Tg 5.1-3; Fp 4.10-13; 1 Tm 6.8-10; Hb 12.14; 2 Pe 3.1-4).
VII - O evangelho ecumênico
1 - Os pregadores desse falso evangelho priorizam a imparcialidade em detrimento da verdade (Jo 8.32; 17.17; Ef 6.14; 1 Tm 2.4). Ensinam que as religiões devem se unir, pois todas têm algo bom, e é isso que importa para Deus (Jo 10.9; 14.6; 1 Tm 2.5; At 4.12; Mt 7.13,14; 2 Co 6.14-18).
2 - Argumentam que a doutrina divide, devendo ser minimizada para o bem maior de alcançar o mundo. Pensam que a união e a unidade são mais importantes que a prevalência da verdade (Jo 17.6-17; Ef 4.1-5,11-15; At 2.42-47).
3 - Preferem tolerar as heresias a parecerem desamorosos para o mundo; apóiam-se em um falso amor, mal-direcionado, e não no amor a Deus e à sua Palavra (Jo 14.23; Sl 110.97; 1 Jo 2.15-17; Rm 12.1,2; Tg 4.4; 2 Tm 4.10).
4 - Afirmam que o mais importante é o amor, mas ignoram o fato de que o amor a Deus está atrelado à aceitação da verdade das Santas Escrituras (Jo 14.23; 1 Co 16.22; Tt 1.10,11; 1 Tm 6.3-5).
VIII - Os evangelhos teologicocêntrico e filosófico
1 - Os propagadores do teologicocentrismo valorizam mais o pensamento teológico que as verdades da Bíblia, não levando em consideração o fato de que os teólogos podem errar, enquanto a Palavra de Deus é infalível (1 Pe 1.24,25; Jr 1.12).
2 - Não consideram a Palavra de Deus a única fonte de autoridade confiável e infalível, valorizando ao extremo a teologia e os teólogos (1 Co 1.19-25; 2.4-10; Mt 4.4).
3 - Abrem mão das Escrituras para defender doutrinas tendenciosas, como calvinismo, arminianismo, etc. (Sl 138.2; Mt 24.35). Questionam até a inspiração total da Bíblia Sagrada, afirmando que somente parte dela é divinamente inspirada (2 Tm 3.16,17; 2 Pe 1.20,21).
4 - Para os seguidores do perigoso evangelho filosófico, o que não passa pelo crivo da razão não pode ser aceito como verdade absoluta (1 Co 2.4-15; Mt 11.25; Sl 25.14; 1 Jo 2.20).
5 - Agnósticos, céticos, materialistas e humanistas, subestimam ou minimizam a força do Inimigo e de seus agentes (Mt 16.6; At 23.8; Mt 22.23; 2 Co 2.11; Lc 10.19; Ef 6.10-12).
6 - Ignoram os milagres apresentados na Palavra e tentam explicar alguns acontecimentos sobrenaturais mediante argumentações racionais e “científicas” (1 Tm 6.20; Hb 11.1,6).
7 - Cessacionistas, negam a sobrenaturalidade do Evangelho para os dias atuais (At 2.39; 1 Co 12.1-11; 1 Co 13.1,2,8; 14.2,13,18 [gr.]; 1 Ts 5.19,20).
IX - O evangelho farisaico
1 - Nesse evangelho, os usos e costumes são determinantes para a salvação das pessoas, bem como para a formação de novas doutrinas; a Bíblia é usada a bel-prazer para respaldar ensinamentos extremistas (Cl 2.8; Mt 15.1-9).
2 - Os seus propagadores ignoram o fato de que ser conservador, à luz da Bíblia, não significa ser extremista, exagerado, fanático ou desequilibrado (Ec 7.16,17; Pv 4.26,27; 2 Tm 1.13,14; 1 Tm 6.20; Ap 2.25; 3.11).
3 - Muitos deles, como os fariseus do passado, são formalistas, regionalistas, ritualistas, nominalistas e endeusam as obras (Mt 16.6; Mc 8.15; At 11.26; At 15.5,10; Mt 23).
4 - Confundem costume com doutrina, exigindo dos crentes a prática de uma santificação inatingível, extremada, acima do que a Bíblia apresenta (Tt 2.1; Cl 2.20-23; Mt 23.23,24; Sl 103.14; 1 Jo 5.3).
5 - Consideram os usos e costumes uma causa, e não um efeito. Não levam em conta que a verdadeira santificação ocorre a partir do espírito — de dentro para fora (1 Ts 5.23; Mt 23.25,26; Hb 4.12).
X - O evangelho do entretenimento
1 - Os pregadores desse evangelho não valorizam a Palavra do Senhor, chamando de culto a Deus os shows, ajuntamentos para cantar, gritar, pular, dançar e assobiar. São contextualizadores, liberalistas, modernistas, secularistas e irreverentes (Mc 8.15; Is 29.13; Mt 21.1-13; 2 Sm 24.24; 1 Co 14.26,40)
2 - Não têm nenhuma preocupação com a manutenção dos bons costumes; isto é, da boa tradição conservadora; é proibido proibir (2 Ts 2.15; 3.6; 1 Co 15.33; Sl 11.3; Ml 1.8; Tg 2.12; Jz 17.6; 21.25).
3 - Líderes de louvor, cantores e músicos que seguem a esse falso evangelho imitam os padrões mundanos, secularizando cada vez mais a liturgia dos cultos (Ec 5.1; Sl 2.11; 5.7; 57.7; Am 5.23).
4 - Não existe nenhuma orientação pastoral aos crentes quanto à linguagem, ao traje e ao comportamento (1 Co 6.12; 10.23; 1 Ts 5.22; Tt 2.8; Is 6.1-8; 1 Tm 2.9,10). Vêem a secularização como uma conseqüência inevitável (Lc 17.26-30; Tg 4.4; 1 Jo 5.19; Is 5.20).
5 - Afirmam, com orgulho, que estão certos e que as igrejas tradicionais estão ultrapassadas, precisando se contextualizar (Pv 24.21; Jr 6.16; Lm 5.21; Fp 2.14,15; Mt 5.13-16; 1 Jo 5.4). Medem o sucesso apenas pela quantidade de membros (At 6.7; Jz 7; Sl 12.1; Mt 7.13,14; Jo 6.60-69).
Guardemos, pois, a sã doutrina, não falsificada, em nosso coração; ouçamos apenas a voz do Bom Pastor e anunciemos o Evangelho de Cristo (1 Pe 2.2; 2 Co 4.1,2; Sl 119.11; Ap 1.3; Jo 10.27,28,5; Gl 2.5,14).
quinta-feira, 24 de março de 2011
Como Pregar sem Atrapalhar o Culto
O Milagre da Pregação
"Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo."
Salomão
o milagre das palavras
No sentido humano, as palavras também fazem milagres. Deus colocou na comunicação um poder quase infinito. As palavras têm o poder de produzir sentimentos, pensamentos e ações. Uma única palavra pode produzir amor ou ódio, alegria ou tristeza, motivação ou depressão, pensamentos positivos ou negativos. Imagine, por exemplo, o efeito das palavras românticas proferidas entre um casal de namorados ou de noivos. Elas são capazes de gerar um campo afetivo cujo desfecho é o casamento. Agora imagine o efeito de palavras sarcásticas, agressivas e desrespeitosas proferidas num momento de desentendimento entre marido e mulher. São capazes de gerar um campo de hostilidade cujo desenlace pode ser o divórcio. Tal é o poder das palavras.
As palavras, portanto, são polivalentes, podendo ajudar ou atrapalhar. Podem encorajar, inspirar e tranqüilizar, mas também podem decepcionar, desunir e oprimir. Foram as palavras que preservaram a verdade bíblica até os nossos dias, bem como preservaram a história da humanidade e as descobertas da ciência. Mas da mesma forma elas contribuíram para desencadear guerras, homicídios e torturas.2 Hitler, por exemplo, manipulou uma nação e torturou o mundo com o uso tendencioso das palavras. Jesus Cristo, por outro lado, estabeleceu o cristianismo e o evangelho com o uso do mesmo recurso: palavras.
As palavras podem fazer ou deixar de fazer milagres na vida das pessoas. E aí está o poder que será utilizado como ferramenta do pregador. Cada pregador tem a oportunidade e a responsabilidade de escolher e combinar as palavras de tal maneira que produ-zam o melhor efeito na vida espiritual das pessoas.
A própria Bíblia diz: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2Tm 2.15). Talvez, parafra-seando, pudéssemos dizer que o pregador só será aprovado por Deus se manejar bem a Verdade e manejar bem as palavras. Ser pregador, portanto, é ter o poder do Espírito para usar o milagre das palavras no milagre da pregação.
Como Pregar sem Atrapalhar o Culto
Alguns sermões têm a capacidade de atrapalhar o culto. Você pode achar estranho, mas é isso mesmo que estou querendo dizer: algumas vezes o culto seria melhor se não houvesse o sermão! Aliás, sempre que a pregação for vazia e sem poder, atrapalhará o culto. Às vezes o culto começa bem, com um poderoso hino congregacional, orações fervorosas, uma inspiradora mensagem musical, e tudo vai muito bem até o momento em que começa o sermão. Nesse ponto, algumas vezes, um sermão mal preparado e sem conteúdo começa a torturar os adoradores com frases repetitivas e de pouco sentido, destruindo todo o clima espiritual criado pelo louvor. E, o que é pior, o pregador não se contenta em ativar essa câmara de tortura por apenas meia hora -não raro se estende por uma hora ou mais.
Talvez pareça exagero dizer que o sermão prejudica o culto, mas a Bíblia adverte contra pastores que apascentam tão mal que fazem as ovelhas fugir: "Portanto assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes..." (Jr 23.2). Segundo Buttrick, citado na revista Ministry, "as pessoas abandonam a igreja não tanto por uma verdade rigorosa que as torne incomodadas, mas pelas fracas ninharias que as tornam desinteressadas".
Em outras palavras, sermões vazios não só atrapalham o culto como podem acabar afastando as pessoas da igreja, criando nelas um total desinteresse pela adoração. Pode até ser que Deus faça o milagre de ajudar alguém com um sermão desses, mas isso não justifica o despreparo do pregador.
sermões que atrapalham o culto
Apenas para ilustrar, vamos fazer uma rápida classificação dos sermões que mais atrapalham o culto. Se você freqüenta igreja há vários anos, é provável que já se tenha encontrado com alguns desses sermões mais de uma vez. A seguir, descrevem-se os tipos de sermão que atrapalham o culto.
O sermão sedativo
É aquele que parece anestesia geral. Mal o pregador começou a falar e a congregação já está quase roncando. Caracteriza-se pelo tom de voz monótono, arrastado, e pelo linguajar pesado, típico do começo do século, com expressões arcaicas e carregadas de chavões deste tipo: "Prezados irmãos, estamos chegando aos derradeiros meandros desta senda". Por que não dizer: "Irmãos, estamos chegando às últimas curvas do caminho"? Seria tão mais fácil de entender. Ficar acordado num sermão desse tipo é quase uma prova de resistência física. Como dizia Spurgeon: "Há colegas de ministério que pregam de modo intolerável: ou nos provocam raiva ou nos dão sono. Nenhum anestésico pode igualar-se a alguns discursos nas propriedades soníferas. Nenhum ser humano que não seja dotado de infinita paciência poderia suportar ouvi-los, e bem faz a natureza em libertá-lo por meio do sono".1
O sermão insípido
Esse sermão pode até ter uma linguagem mais moderna e um tom de voz melhor, mas não tem gosto e é duro de engolir. As idéias são pálidas, sem nenhum brilho que as torne interessantes. Muitas vezes é um sermão sobre temas profundos, porém sem o sabor de uma aplicação contemporânea, ou sem o bom gosto de uma ilustração. É como se fosse comida sem sal. É como pregar sobre as profecias de Apocalipse, por exemplo, sem mostrar a importância disso para a vida prática. O pregador não tem o direito de apresentar uma mensagem insípida, porque a Bíblia não é insípida. O pregador tem o dever de explorar as belezas da Bíblia, selecioná-las, pois são tantas, e esbanjá-las perante a congregação.
O sermão óbvio
É aquele sermão que diz apenas o que todo mundo já sabe e está cansado de ouvir. O ouvinte é quase capaz de adivinhar o final de cada frase de tanto que já a ouviu. É como ficar dizendo que roubar é pecado ou que quem se perder não vai se salvar (é óbvio). Isso é uma verdade, mas tudo o que se fala no púlpito é verdade. Com raras exceções, ninguém diz inverdades no púlpito. O que falta é apenas revestir essa verdade de um interesse presente e imediato.
O sermão indiscreto
É aquele que fala de coisas apropriadas para qualquer ambiente menos para uma igreja, onde as pessoas estão famintas do pão da vida. Às vezes, o assunto é impróprio até para outros ambientes. Certa ocasião ouvi um pregador descrever o pecado de Davi com Bate-Seba com tantos detalhes que quase criou um clima erótico na congregação. Noutra ocasião, uma senhora que costumava visitar a igreja confessou-me que perdeu o interesse porque ouviu um sermão em que noventa por cento do assunto girava em torno dos casos de prostituição da Bíblia, descritos com detalhes. E acrescentou: "Achei repugnante. Se eu quiser ouvir sobre prostituição, ligo a tv".
De outra vez, um amigo me contou de um sermão que o fez sair traumatizado da igreja, pois o pregador gastou metade do tempo relatando as cenas horrorosas de um caso de estupro. Por favor, pregadores: o púlpito não é para isso. Para esse tipo de matéria existem os noticiários policiais.
O sermão-reportagem
É aquele que fala de tudo, menos da Bíblia. Inspira-se nas notícias de jornais, manchetes de revistas e reportagens da televisão. Parece uma compilação das notícias de maior impacto da semana. É um sermão totalmente desprovido do poder do Espírito Santo e da beleza de Jesus Cristo. É uma tentativa de aproveitar o interesse despertado pela mídia para substituir a falta de estudo da Palavra de Deus. Notícias podem ser usadas esporadicamente para rápidas ilustrações, nunca como base de um sermão.
O sermão de marketing
É aquele usado para promover e divulgar os projetos da igreja ou as atividades dos diversos departamentos. Usar o púlpito, por exemplo, para promover congressos, divulgar literatura, prestar relatórios financeiros ou estatísticos, ou fazer campanhas para angariar fundos, seja qual for a finalidade, destrói o verdadeiro espírito da adoração e, portanto, atrapalha o culto. A igreja precisa de marketing, e deve haver um espaço para isso, mas nunca no púlpito. Isso deve ser feito preferivelmente em reuniões administra-tivas.
O sermão-metralhadora
É usado para disparar, machucar e ferir. Às vezes a crítica é contra um grupo com idéias opostas, contra administradores da igreja, contra uma pessoa pecadora ou rival, ou mesmo contra toda a congregação. Seja qual for o destino, o púlpito não é uma arma para disparar contra ninguém. Às vezes o pregador não tem a coragem cristã de ir pessoalmente falar com um membro faltoso e se protege atrás de um microfone, onde ninguém vai refutá-lo, e dispara contra uma única pessoa, sob o pretexto de "chamar o pecado pelo nome". Resultado: a pessoa fica ferida, todas as outras, famintas, e o sermão não ajuda em nada.
Às vezes o disparo é contra um grupo de adultos ou de jovens supostamente em pecado. Não é essa a maneira de ajudá-los. Convém ressaltar que chamar o pecado pelo nome não é chamar o pecador pelo nome. Chamar o pecado pelo nome significa orar com o pecador e se preciso chorar com ele na luta pela vitória. A congregação passa a semana machucando-se nas batalhas de um mundo pecaminoso e de uma vida difícil e chega ao culto precisando de remédio para as feridas espirituais, não de condenação por estar ferida. Em vez de chumbá-la com uma lista de reprovações e obrigações, o pregador tem o dever santo de oferecer o bálsamo de Gileade, o perdão de Cristo como esperança de restauração. As obrigações, todo mundo conhece. Nenhum cristão desconhece os deveres do evangelho. Em vez de apenas dizer que o cristão tem de ser honesto, por exemplo, mostre-lhe como ser honesto pelo poder de Cristo. Isso é pregação com poder.
Todos esses sermões mencionados acima atrapalham o culto mais do que ajudam. Prejudicam o adorador, prejudicam a adoração. São vazios de poder. Se você quer ser um pregador de poder, busque a Deus, gaste dezenas de horas no estudo da Bíblia antes de pregá-la, experimente o perdão de Cristo e estude os recursos da comunicação que ajudam a chegar ao coração das pessoas. Esse é o assunto dos próximos capítulos.
Nota
Dicas aos Pregadores
O propósito desta breve lista de sugestões homiléticas não é minimizar, sintetizar ou banalizar o estudo sério acerca da atuação do pregador no púlpito. O uso do púlpito e a postura do pregador diante dos ouvintes merecem estudo aprofundado tanto sob o prisma da autoridade espiritual de quem anuncia a Palavra, quanto dos aspectos que envolvem a comunicação verbal e gestual modernas.
Não pense, portanto, que em cumprindo as "Dicas" o sucesso será imediato. Elas servirão mais para identificar deficiências do que superá-las. Por esta razão, ao reconhecer vícios no seu desempenho como pregador procure ajuda imediatamente, antes que os maus hábitos sejam incorporados a sua personalidade pública. E a um pregador desprestigiado, sobra-lhe somente um lugarzinho obscuro entre os de terceira linha.
É possível mudar; melhorar é um desafio diário. Esforço pessoal, vontade de servir melhor ao Senhor e ao Seu povo, são alicerces que sustentam os bons propósitos do pregador evangélico sério em nossos dias.
DICAS
1. Extensão do Sermão
O Sermão deve ser curto ou longo? Como decidir entre os dois? Observe a fisionomia dos ouvintes, se eles aparentam cansaço e apatia é bom caminhar para a conclusão. O que é melhor? - Um sermão curto sem conteúdo, ou um sermão longo com profundidade bíblica? Nenhum dos dois. Observe o auditório!
2. Ilustrações
As ilustrações jocosas, alegres e descontraídas cabem melhor no início do sermão. Seja mais solene ao concluir. Use preferivelmente ilustrações verdadeiras, colhidas na experiência do dia-a-dia.
3. Dicção Correta
Comer os "s" finais e introduzir sons vocálicos refletem pouca cultura e desprestígio à língua portuguesa. Exemplos: Jesus, não Jesuis. Fomos, não fômu. ... e muitos outros.
4. Tom de Voz
Com sua voz o pregador denuncia sua convicção. Gritar e esmurrar o púlpito não convencem, nem escondem o caráter do pregador. Module a voz. Fale alto, baixo, rápido, vagarosamente. Voz monótona dá sono!
5. Anúncio do Texto Bíblico
Ao enunciar o texto bíblico seja claro quanto ao livro e preciso na referência. Aguarde até que o auditório tenha localizado o texto.
6. Aplicação Prática
Seja prático nas aplicações. O que é melhor dizer? - "Levemos Jesus ao mundo" (genérico), ou "Ao chegar em sua casa hoje, pegue o telefone, ligue para sua mãe que não é crente e diga-lhe: mamãe eu amo você e Jesus a ama também..."
7. Esboço do Sermão
Decore o esboço do sermão. Cada vez que o pregador deixa de "olhar no olho" dos ouvintes, parcela deles se desliga. Mantenha os ouvintes plugados!
8. Gestos
Os gestos do pregador reforçam os verbos. Gesticulação sem propósito denuncia o nervosismo do pregador, e não causa bom efeito nos ouvintes.
9. O Uso do Microfone
O microfone é um amigo do pregador! Não dê pancada nele antes de usá-lo. No caso de dificuldades em conviver com ele, faça um curso e aprenda a usar o recurso.
10. Autenticidade
Pregue, de preferência, os seus sermões. Pregue sermões de outros pregadores, quando desejar. Ao fazê-lo, diga a fonte. Não é feio omitir, é desonesto! Alguém descobrirá o plágio e você cairá em descrédito.
11. Apelo
Apele sem apelação. Diga claramente o que você pretende que o ouvinte faça em reação ao sermão recém apresentado. No caso de não haver manifestações , não ameace o auditório com "pragas infernais".
12. Expressão Facial
Mantenha uma fisionomia tranqüila. Não é preciso sorrir sempre... O auditório vê o sermão no semblante do pregador, antes de ouvi-lo através de sua voz.
13. Movimentação
Caminhar na plataforma é um bom exercício para o pregador e uma excelente maneira de arremessar o auditório para fora do sermão. Procure aquietar-se!
14. Clareza
Ao ler o texto básico do sermão, respeite a pontuação e enfatize os termos que serão explicados e aplicados durante a mensagem.
15. Emoção
O pregador pode chorar. Há ocasiões em que isto é inevitável durante o sermão. É espontâneo e natural, não mero artifício de comunicação. Mas, se o chorar se tornar um hábito do pregador é preciso averiguar a real origem dessa emoção, e sugere-se ao pregador que procure ajuda com profissional especializado.
16. Chavões
A grande massa evangélica produz a sua gíria. Chavões circulam no meio do povo como "axioma teológico". Cabe ao pregador fugir dessas expressões inócuas, tais como: "Amém, irmãos!" - "Uma bênção... Uma Maravilha!", "O toque de Deus", e outras . Usá-las no sermão reflete pobreza de exegese bíblica e falta de vocabulário.
17. Desculpas
Ao pregador não cabe o pedir desculpas pelo conteúdo da mensagem que foi, ou será apresentada. Desculpar-se não é bom nem antes, nem depois do sermão. A falsa humildade revela verdadeiro desleixo.
18 Tiques
O pregador, nervoso, repete o mesmo gesto. Leva a mão ao nó da gravata, pigarreia, arruma os óculos no rosto... Todo o gesto repetido desperta a atenção do ouvinte e desvia-o do sermão. Controle-se. Observe-se a si mesmo!
Antes que os adolescentes façam piadas de você!
19. Dirigindo-se a todos
Há templos com galeria, e em muitos templos outros o coral fica postado na plataforma atrás do pregador Temos assim uma dificuldade para o contato visual! Não raro o mensageiro se esquece destes dois segmentos do auditório, e em nenhum momento se quer dirige-lhes o olhar. Você não fará assim! Vire-se suave e cortesmente, e fale aos coristas. Olhe para o alto e demonstre que você reconhece a presença, e agradece a atenção dos presentes apinhados na galeria.
20. O início do sermão
Os cinco minutos iniciais do sermão são cruciais, e dão duas certezas aos ouvintes.
A primeira: O pregador sabe o que vai dizer. Ele domina o assunto. (ou, não sabe o que dizer!)
A Segunda: O pregador conhece texto no qual vai pregar (ou, está usando o texto por pretexto).
Lembre-se: Você tem 300 segundos para justificar a sua presença diante da congregação!
Jorge Schutz Dias
Professor de Homilética da Faculdade Teológica Batista de S. Paulo
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